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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Lei de Conservação


O Livro dos Espíritos
Cap. 5 - Lei de Conservação

Instinto de conservação

702. O instinto de conservação é uma lei da Natureza?

— Sem dúvida. Todos os seres vivos o possuem, qualquer que seja o seu grau de inteligência; nuns é puramente mecânico e noutros é racional.

703. Com que fim Deus concedeu a todos os seres vivos o instinto de conservação?

— Porque todos devem colaborar nos desígnios da Providência. Foi por isso que Deus lhes deu a necessidade de viver. Depois, a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres; eles o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem.


Meios de conservação

704. Deus, dando ao homem a necessidade de viver, sempre lhe forneceu os meios para isso?

— Sim, e se ele não os encontra é por falta de compreensão. Deus não podia dar ao homem a necessidade de viver sem lhe dar também os meios. Épor isso que faz a terra produzir de maneira a fornecer o necessário a todos os seus habitantes, pois só o necessário é útil; o supérfluo jamais o é.

705. Por que a terra nem sempre produz bastante para fornecer o necessário ao homem?

— E que o homem a negligencia, o ingrato, e no entanto ela é umaexcelente mãe. Freqüentemente ele ainda acusa a Natureza pelasconseqüências da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziriasempre o necessário, se o homem soubesse contentar-se. Se ela não supre atodas as necessidades é porque o homem emprega no supérfluo o que sedestina ao necessário. Vede o árabe no deserto como encontra sempre do queviver, porque não cria necessidades fictícias. Mas quando metade dos produtosé desperdiçada na satisfação de fantasias, deve o homem se admirar de nadaencontrar no dia seguinte e tem razão de se lastimar por se achar desprevenido quando chega o tempo de escassez? Na verdade, eu vos digo que não é a Natureza a imprevidente, é o homem que não sabe regular-se.

706. Como bens da terra devemos entender apenas os produtos do solo?

— O solo é a fonte primeira de que decorrem todos os outros recursos,porque esses recursos, em, última instância, são apenas uma transformaçãodos produtos do solo. É por isso que devemos entender pelos bens da terratudo quanto o homem pode gozar nesse mundo.

707. Os meios de subsistência faltam freqüentemente a certos indivíduos, mesmo em meio da abundância que os cerca; a que se deve ligar esse fato?
— Ao egoísmo dos homens que nem sempre fazem o que devem; emseguida, e o mais freqüentemente, a eles mesmos. Buscai e achareis; estaspalavras não querem dizer que seja suficiente olhar para a terra a fim deencontrar o que se deseja, mas que é necessário procurar com ardor eperseverança, e não com displicência, sem se deixar desanimar pelosobstáculos que muito freqüentemente não passam de meios de pôr à prova avossa constância, a vossa paciência e a vossa firmeza. (Ver item 534.)

Comentário de Kardec: Se a civilização multiplica as necessidades, também multiplica as fontes de trabalho e os meios de vida; mas é preciso convir que nesse sentido ainda muito lhe resta a fazer. Quando ela tiver realizado a sua obra. ninguém poderá dizer que lhe falte o necessário, a menos que o falte por sua própria culpa. O mal, para muitos, é viverem uma vida que não é a que a Natureza lhes traçou; é então que lhes falta a inteligência para vencerem. Há para todos um lugar ao sol, mas com a condição de cada qual tomar o seu e não o dos outros. A Natureza não poderia ser responsável pelos vícios da organização social e pelas conseqüências da ambição e do amor-próprio.

Seria preciso ser cego, entretanto, para não se reconhecer o progresso que nesse sentido têm realizado os povos mais adiantados.

Graças aos louváveis esforços que a Filantropia e a Ciência, reunidas, não cessam de fazer para a melhoria da condição material dos homens, e malgrado o crescimento incessante das populações, a insuficiência da produção é atenuada, pelo menos em grande parte, e os anos mais calamitosos nada têm de comparável aos de há bem pouco tempo. A higiene pública, esse elemento tão essencial da energia e da saúde, desconhecido por nossos pais, é objeto de uma solicitude esclarecida; o infortúnio e o sofrimento encontram lugares de refúgio; por toda parte a Ciência é posta em ação, contribuindo para o acréscimo do bem-estar. Pode-se dizer que atingimos a perfeição? Oh!, certamente que não. Mas o que já se fez dá-nos a medida do que pode ser feito, com perseverança, se o homem for bastante sensato para procurar a sua felicidade nas coisas positivas e sérias e não nas utopias que o fazem recuar em vez de avançar.


708. Não há situações em que os meios de subsistência não dependem absolutamente da vontade do homem e a privação do necessário, até o mais imperioso, é uma conseqüência das circunstâncias?

— E uma prova freqüentemente cruel que o homem deve sofrer e à qualsubia que seria exposto; seu mérito está na submissão à vontade de Deus, sea sua inteligência não lhe fornecer algum meio de sair da dificuldade. Se amorte deve atingi-lo, ele deverá submeter-se sem lamentar, pensando que ahora da verdadeira liberdade chegou e que o desespero do momento final pode fazê-lo perder o fruto de sua resignação.

709. Aqueles que em situações críticas se viram obrigados a sacrificar os semelhantes para matar a fome, cometeram com isso um crime? Se houve crime, é ele atenuado pela necessidade de viver que o instinto de conservação lhes dá?
— Já respondi, ao dizer que há mais mérito em sofrer todas as provas da vida com abnegação e coragem. Há homicídio e crime de lesa-natureza, que devem ser duplamente punidos.

710. Nos mundos onde a organização é mais apurada, os seres vivos têm necessidade de alimentação?

— Sim, mas os seus alimentos estão em relação com a sua natureza. Esses alimentos não seriam tão substanciais para os vossos estômagos grosseiros; da mesma maneira, eles não poderiam digerir os vossos.

Gozo dos bens da Terra


711. O uso dos bens da Terra é um direito de todos os homens? 
- Esse direito é a conseqüência da necessidade de viver. Deus não pode impor um dever sem conceder os meios de ser cumprido

712_Com que fim Deus fez atrativos os gozos dos bens materiais?

- Para instigar o homem ao cumprimento da sua missão e também para o provar na tentação.

712 – a) Qual o objetivo dessa tentação?
- Desenvolver a razão que deve preservá-lo dos excessos.

Comentário de Kardec: Se o homem não fosse instigado ao uso dos bens da Terra senão em vista de sua utilidade, sua indiferença poderia ter comprometido a harmonia do Universo. Deus lhe dá o atrativo do prazer que o solicita a realização dos desígnios da Providência. Mas, por meio desse mesmo atrativo, Deus quis prova-lo também pela tentação, que o arrasta ao abuso, do qual a sua razão deve livrá-lo

713. Os gozos têm limites traçados pela Natureza?

- Sim, para vos mostrar o termo do necessário; mas pelos vossosexcessos chegais até o aborrecimento e com isso vos punis a vós mesmos.

714.Que pensar do homem que procura nos excessos de toda espécie um refinamento dos seus gozos?

— Pobre criatura que devemos lastimar e não invejar, porque está bem próxima da morte!

714 – a) É da morte física ou da morte moral que ele se aproxima?

— De uma e de outra.Comentário de Kardec: O homem que procura, nos excessos de toda espécie um refinamento dos gozos coloca-se abaixo dos animais, porque estes sabem limitar-se à satisfação de suas necessidades. Ele abdica da razão que Deus lhe deu para guia e quanto maiores forem os seus excessos maior é o império que concedeu a sua natureza animal sobre a espiritual. As doenças, a decadência, a própria morte, que são a conseqüência do abuso, são também a punição da transgressão da lei de Deus.

Necessário e Supérfluo


715. Como pode o homem conhecer o limite do necessário?

- O sensato o conhece por intuição e muitos o conhecem à custa de suas próprias experiências.

716. A Natureza não traçou o limite do necessário em nossa própria organização?

— Sim, mas o homem é insaciável. A Natureza traçou limites de suas necessidades na sua organização, mas os vícios alteraram a sua constituição e criaram para ele necessidades artificiais.

717. Que pensar dos que açambarcam os bens da Terra para seproporcionarem o supérfluo, em prejuízo dos que não têm sequer o necessário?

— Desconhecem a lei de Deus e terão de responder pelas privações queocasionarem.

Comentário de Kardec: O limite entre o necessário e o supérfluo nada tem de absoluto. A civilização criou necessidades que não existem no estado de selvageria, e os Espíritos que ditaram esses preceitos não querem que o homem civilizado viva como selvagem. Tudo é relativo e cabe à razão colocar cada coisa em seu lugar. A civilização desenvolve o senso moral e ao mesmo tempo o sentimento de caridade que leva os homens a se apoiarem mutuamente. Os que vivem à custa das privações alheias exploram os benefícios da civilização em proveito próprio; não têm de civilizados mais do que o verniz, como há pessoas que não possuem da religião mais do que a aparência.

Privações Voluntárias - Mortificações


718. A lei de conservação obriga-nos a prover as necessidades do corpo?
— Sim, pois sem a energia e a saúde o trabalho é impossível.

719. O homem é censurável por procurar o bem-estar?

— O bem-estar é um desejo natural. Deus só proíbe o abuso, por sercontrário à conservação, e não considera um crime a procura do bem-estar, se este não for conquistado às expensas de alguém e se não enfraquecer asvossas forças morais nem as vossas forças físicas.

720. As privações voluntárias, com vistas a uma expiação igualmente voluntária, têm algum mérito aos olhos de Deus?

— Fazei o bem aos outros e tereis maior mérito.

720 – a) Há privações voluntárias que sejam meritórias?

— Sim: a privação dos prazeres inúteis, porque liberta o homem da matéria e eleva sua alma. O meritório é resistir à tentação que vos convida aos excessos e ao gozo das coisas inúteis; é retirar do necessário para dar aos que o não têm. Se a privação nada mais for que um fingimento, será apenas uma irrisão.

721. A vida de mortificações no ascetismo tem sido praticada desde toda a Antiguidade e nos diferentes povos; é ela meritória sob algum ponto de vista?

— Perguntai a quem ela aproveita e tereis a resposta. Se não serve senão ao que a pratica e o impede de fazer o bem, é egoísta, qualquer que seja o pretexto sob o qual se disfarce. Submeter-se a privações no trabalho pelos outros é a verdadeira mortificação, de acordo com a caridade cristã.

722. A abstenção de certos alimentos, prescrita entre diversos povos, funda-se na razão?
— Tudo aquilo de que o homem se possa alimentar, sem prejuízo para asua saúde, é permitido. Mas os legisladores puderam interditar algunsalimentos com uma finalidade útil. E para dar maior crédito às suas leisapresentaram-nas como provindas de Deus.

723. A alimentação animal, para o homem, é contrária à lei natural?

— Na vossa constituição física, a carne nutre a carne, pois do contrário o homem perece. A lei de conservação impõe ao homem o dever de conservar as suas energias e a sua saúde para poder cumprir a lei do trabalho. Ele devealimentar-se, portanto, segundo o exige a sua organização.

724. A abstenção de alimentos animais ou outros, como expiação é meritória?

— Sim, se o homem se priva em favor dos outros, pois Deus não pode ver mortificação quando não há privação séria e útil. Eis porque dizemos que os que só se privam em aparência são hipócritas. (Ver item 720.)

725. Que pensar das mutilações praticadas no corpo do homem ou dos animais?
— A que vem semelhante pergunta? Perguntai sempre se uma coisa é útil. O que é inútil não pode ser agradável a Deus e o que é prejudicial lhe é sempre desagradável. Porque, ficai sabendo, Deus só é sensível aos sentimentos que elevam a alma para ele, e é praticando as suas leis, em vez de violá-las, que podereis sacudir o jugo de vossa matéria terrena.

726. Se os sofrimentos deste mundo nos elevam, conforme os suportamos, poderemos elevar-nos pelos que criarmos voluntariamente?
— Os únicos sofrimentos que elevam são os naturais, porque vêm de Deus. Os sofrimentos voluntários não servem para nada, quando nada valem para o bem de outros. Crês que os que abreviam a vida através de rigores sobre-humanos, como o fazem os bonzos, os faquires e alguns fanáticos de tantas seitas, avançam na sua senda ? Por que não trabalham, antes em favor dos seus semelhantes? Que vistam o indigente, consolem o que chora trabalhem pelo que está enfermo, sofram privações para o alívio dos infelizes e então sua vida será útil e agradável a Deus. Quando, nos sofrimentos voluntários a que se sujeita, o homem não tem em vista senão a si mesmo trata-se de egoísmo; quando alguém sofre pelos outros, pratica a caridade; são esses os preceitos do Cristo.

727. Se não devemos criar para nós sofrimentos voluntários que não são de nenhuma utilidade para os outros, devemos, no entanto, preservar-nos dos que prevemos ou dos que nos ameaçam?
— O instinto de conservação foi dado a todos os seres contra os perigos e os sofrimentos. Fustigai o vosso Espírito e não o vosso corpo, mortificai vosso orgulho, sufocai o vosso egoísmo que se assemelha a uma serpente a vos devorar o coração e fareis mais pelo vosso adiantamento do que por meio de rigores que não mais pertencem a este século.

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“Os guerreiros se preparam para serem conscientes, e a total consciência vem a eles somente quando não há mais nenhuma auto-importância restando neles. Somente quando eles são nada é que eles se tornam tudo.” Carlos Castaneda