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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O Casamento: Uma Organização de Origem Divina


Manter uma união saudável, construtiva e satisfatória não é tarefa fácil! São muitos os obstáculos e percalços a se ultrapassar, principalmente quando temos aquela visão idealista do casamento, a visão romancista do amor. É comum verem pessoas idealizando seus cônjuges, o casamento perfeito e a pessoa ideal, aquela pessoa que irá preencher todas as lacunas existentes no seu ser interior. Quem nunca fez isso, não é mesmo?

"Ah eu quero um marido romântico, bonito, inteligente, generoso e que satisfaça todos os meus desejos! Se não for assim nem caso!" - Já escutei muito isso;

"Ah a mulher ideal é carinhosa, bonita, meiga, doce, sabe cozinhar, companheira..."

Estamos o tempo inteiro a idealizar, planejar, e principalmente a transferir para o outro responsabilidades. Estamos sempre a esperar mais do outro, as expectativas são muitas. Acho correto aquela frase que diz: "O amor é cego!"
E põe cego nisso! No primeiro instante tapamos os olhos, tudo parece mágico, intenso... mas depois vem o casamento, aí sim, a convivência faz com que o véu caia, se dissipe, passamos a enxergar o outro com seus defeitos e qualidades (mais defeitos diga-se de passagem, risos), como o outro é, e vemos que trata-se de um ser humano comum, e não mais a nossa esperança, o nosso objeto de felicidade. 
Mas essa cegueira momentânea não deve ser vista como algo ruim, provavelmente se não fosse assim, ninguém se casaria.

Por sonhar com o amor muitas vezes nos iludimos, depositando toda esperança de felicidade no parceiro. Passamos a achar que para alcançar essa felicidade um deve viver para satisfazer o outro, para fazê-lo feliz, sem entender que cada um tem suas próprias descobertas e desafios a enfrentar, e as verdadeiras uniões tem por intuito fazer com que o casal trabalhe em conjunto pelo desenvolvimento de ambos e para a formação da família.

O casamento deve ser entendido como a base, um relacionamento forte, estável que deve servir de estrutura. O que se pode entender por estrutura? Estrutura significa força suficiente para que se possa construir em cima. Temos também o entendimento de que a família é uma organização de origem divina, ela tem uma função educadora e nós podemos também aprender através da vivência coletiva, por isso o casamento é considerado uma das provas mais importantes na vida de todos.

Aí surge a questão: Por que casamento dá tanto trabalho? É aí que entra o princípio da reencarnação, a sua finalidade é proporcionar aos espíritos a progressão espiritual, para aproximar-se de Deus;
Partindo dessa premissa, os espíritos buscam formas de atingir o objetivo almejado, escolhendo eles mesmos os gêneros de provas que desejam sofrer. Quando lhes falta experiência para escolher, espíritos mais evoluídos encarregam-se dessa tarefa. O casamento é uma das instituições de ensino da Terra, o objetivo é posicionar os interessados sobre a responsabilidade de cada um, mas não obstante muitas vezes vemos a dissolução do casamento ser causada pelo simples desejo de inovação.

Antes de reencarnarmos assumimos um compromisso no mundo espiritual, desde então esse passa a ser o nosso destino nessa existência. E esses laços espirituais podem ser classificados como:

  • Acidentais: Encontro de almas inferiorizadas, por efeito de atração momentânea, sem qualquer ascendente espiritual.
  • Provacionais: Reencontro de almas, para reajustes necessários para a evolução de ambos.
  • Sacrificiais: Reencontro de alma iluminada com alma inferiorizada, com objetivo de redimi-la;
  • Afins: Reencontro de corações amigos, para consolidação de afetos.
  • Transcendentes: Almas engrandecidas no Bem e que se buscam para realizações imortais.

A maioria das relações na Terra são provacionais, entendendo-se a necessidade de reajustes, o remédio embora amargo, precisa ser ingerido para a estabilização da saúde espiritual, isto é, o acerto de contas reclamado por ambas as partes. Não existem encontros afetivos, sem raízes profundas nos princípios cármicos, onde as nossas responsabilidades são esposadas em comum.

Tomando-se por base essa classificação, podemos deduzir que os acidentais, quando duas pessoas se unem, sem qualquer ascendente espiritual, onde funcionou apenas o livre-arbítrio, na busca do sexo oposto, apenas para satisfação instintiva, tem início ali um vínculo de comprometimento para o futuro, em próximas existências, uma vez que ninguém tem o direito de lesar sentimentos alheios, sem que lhe seja imputada a devida culpa. 

Entendemos também que separação consiste no não cumprimento da programação anterior que se adia para outra encarnação. Pode ser comparada com a Nota Promissória que, vencida, poderá ser prorrogada, mas, com o ônus do acréscimo dos juros, multas e correções.


Sendo assim, verificamos que não é compensadora a separação, uma vez que demonstra falta de inteligência e de bom senso. 
Para tanto, torna-se necessário que cada um dos cônjuges compreenda a importância de sua participação empenhada no êxito resolutivo nas divergências. Assumindo, com boa vontade e compreensão, a parte que lhes compete, receberão, necessariamente, uma solução positiva. Isso é de Lei.

É importante olhar para dentro de si, com valor e humildade, admitindo a necessidade de modificar alguma coisa, talvez, o comportamento com o outro cônjuge, perdoando-o, tratando-o com afetividade, com indulgência, usando da caridade que enaltece e ensina a amar. 
Se não fizer mudanças necessárias e continuar com o mesmo procedimento anterior, permanecerá sofrendo aquilo que já sofria, isto é, as dificuldades de relacionamento familiar, em prejuízo dos próprios filhos. Não agindo assim, estará, sem dúvida, transferindo para encarnação futura a solução daquilo que pode resolver desde já.

A separação, portanto, torna-se necessária em casos extremos, quando a irracionalidade de um ou de ambos os cônjuges não propiciar ambiente para entendimentos; quando a convivência, ao invés de pacificar, cria maiores divergências, complicando, ainda mais, as dificuldades para o bom relacionamento; quando as agressões podem causar prática de crimes ou por adultério. Todavia, mais cedo ou mais tarde, as partes se encontrarão para os devidos reparos, pois, nas Leis de Deus, só a prática do AMOR nos fará felizes.

Com isso acredito que não nos casamos para ser felizes, mas sim para crescer, a prática do amor, da tolerância, da compreensão, do perdão, da caridade começa em casa. O cônjuge deve ser alguém onde possa encontrar apoio, não a idealização dos nossos sonhos românticos, o amor deve ser compreendido e partilhado como força universal, de cada um para todos. Um dos maiores problemas no casamento é a falta do auto conhecimento, se não nos conhecemos, não sabemos o que queremos, e por conseguinte embrenhamos numa busca desenfreada por aquilo que acreditamos ser a felicidade, na esperança de satisfação interna, de preencher o vazio que acreditamos ser causado pela falta de um relacionamento perfeito. Não é difícil encontrar pessoas bem casadas, que tem tudo o que uma pessoa poderia desejar, no entanto se sentem infelizes mesmo com um parceiro maravilhoso, isso acontece não por insatisfação com o próximo, mas consigo mesmo. 
O auto conhecimento é a palavra chave.

No livro de sua autoria, Fé, Paz e Amor, página 92, Emmanuel, o sábio amigo do médium Chico Xavier, ensina: “Se encontrastes em casa, o campo de batalha, em que sentes compelido a graves indenizações do pretérito, não te detenhas na dúvida! Suporta os conflitos à própria redenção, com valor moral do soldado que carrega o fardo da própria responsabilidade, enquanto se desenvolver a guerra a que foi trazido. Não te esqueças de que o lar é o espelho, onde o mundo contempla o teu perfil e, por isso mesmo, intrépidas e tranquilas nos compromissos esposados, saibamos enobrecê-los e santificá-los.”

Pensemos nisto como uma dívida contraída, e que deve ser paga. Aí encontra-se também uma resposta para os conflitos. Se existe amor, então porque há tantos desentendimentos? Em nossa existência encontramos amigos, inimigos, afetos, desafetos de vidas pretéritas. O parceiro que você tanto ama hoje pode ter sido o inimigo de ontem. Ás vezes em um gesto, palavras, inconscientemente acessamos essas memórias de vidas passadas, remetendo o cônjuge ao algoz de outrora. 
O objetivo é encontrar o equilíbrio, a reconciliação, abandonar as expectativas e deixar que o amor se sobressaia sobre as mágoas e desentendimentos.

O casamento é um verdadeiro teste de paciência, doação, amor e que pode nos impulsionar para um crescimento espiritual mais rápido. As dificuldades sempre surgirão, mas é responsabilidade de cada um dar o seu melhor, fazer o que estiver ao seu alcance para resolver os eventuais problemas. A harmonia começa a surgir quando não mais esperamos que o outro nos faça feliz, mas desejamos ardentemente a sua felicidade.

O diálogo se faz necessário sempre, afim de restabelecer o equilíbrio. Comunique ao seu parceiro os seus anseios, sentimentos, emoções, ideais, deixe que o outro te conheça, e nada de querer que o parceiro adivinhe, ele não possui bola de cristal. 
Cumplicidade, amizade, companheirismo são ingredientes importantes na composição da receita de um casamento saudável.

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“Os guerreiros se preparam para serem conscientes, e a total consciência vem a eles somente quando não há mais nenhuma auto-importância restando neles. Somente quando eles são nada é que eles se tornam tudo.” Carlos Castaneda