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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Encarnação e Desencarnação

As vidas sucessivas fazem com que haja duas fases na vida do espírito: encarnação e desencarnação. A encarnação é o estado em que o espírito imortal se encontra unido a um corpo material; durante esse período, ele vive no mundo físico, como o nosso. O corpo é uma produção "ideoplástica" do espírito, retratando suas deficiências, moléstias e necessidades, mas que serve como instrumento de manifestação no plano material e, ao mesmo tempo, como recurso de regeneração. "A carne absorve muitas lesões do perispírito e se o sujeito não reincidir em novos erros, ficará curado. O espírito reencarnante, fora os casos menores comuns de compulsória, passa por longo preparo antes de voltar a carne. É preciso que seja alcançado um certo reajustamento emocional, livrando-o da maior parte das perturbações naturais do culpado e devedor; isto é alcançado pelo trabalho ativo no serviço aos que estão em condições ainda piores, e por certos tratamentos magnéticos.

Há portanto, longos anos até que o espírito se incline a regeneração e, depois, outros tantos anos para alcançar o reequilibro possível. Tudo depende da sua vontade de progredir, multidões preferem estagiar longamente na sombra, rebeldes e indisciplinados. De pouco a pouco, vão os abnegados trabalhadores do bem, tirando um daqui, outro dali, etc., dispostos ao esforço redentor. Além do serviço prestado, o futuro homem estuda, em escolas especiais, assuntos que dizem respeito ao seu trabalho e vida na carne. Para cada um é preparado um roteiro ou programa de vida, no qual estão especificados os serviços a prestar e os lances mais importantes para a evolução espiritual; ninguém casa, tem filhos ou é médico por acaso... Cônjuge, filhos, profissão, doenças, dia do desencarne e coisas assim estão previstas e relacionadas com o passado. Um casamento pode ser uma união expiatória ou de amor. Um médico estudou medicina por necessidade de reparar erros acumulados ou para dar continuidade à sua vocação; depende do grau de liberdade em função do dever de reparar o pretérito culposo: quem não deve é livre para escolher o rumo segundo os seus dons indicam e o gosto pede.

Defeitos físicos numerosos enfeiam o organismo, como conseqüência de causa anteriores. Há também, aquelas que nos mesmos pedimos quando prevemos a queda num setor em que isso já sucedeu antes; assim, é natural que o comilão ou beberão solicite dos mentores uma restrição no funcionamento do estômago, que o obrigue a sobriedade; outros pedem um defeito na aparência, etc...

Na época em que deve o espírito ligar-se à matéria, isto é, logo após a fecundação, ele sofre uma miniaturização no perispírito e prende-se ao óvulo por um cordão fluídico. A consciência turva-se, e a operação importante dessa fase é a obtenção da anuência dos pais. Estes precisam concordar com a recepção do novo filho, a fim de que se sintam responsáveis por ele e tenham consciência das necessidades de resgate, reparação ou acerto entre eles e o rebento. Para tanto, as vezes os encarregados da encarnação preparam entrevistas noturnas com os espíritos paternos desdobrados pelo sono e explicam-lhes o quanto é preciso para sua compreensão e concordância, e com freqüência, deparam com enorme resistência contra o recebimento de um filho; além das fantasias, ilusões e aparentes dificuldades da vida, aquele pode ser um antigo desafeto, que, embora disposto ao bem, causa mal estar pelas lembranças e emoções que evoca...

Sabemos que nem sempre é assim. Existem encarnações "compulsórias" e será bom que estejamos armados de fortaleza íntima para compreender certas situações lamentáveis daí decorrentes. Por exemplo: uma jovem solteira que engravida; uma mulher casada com vários filhos e que engravida novamente; um casal que mora numa favela, e nasce-lhe uma criança; dois mal tem o que comer, e dão origem a inúmeros descendentes infelizes... Sucede que não raro os espíritos faltosos se percebem tão mal, que preferem renascer logo e aceitam uma situação desse jaez. Fatos dessa natureza causam incômodo a muitos e são objeto de severas críticas, quando não servem para justificar revoltas. Não devemos esquecer porém, o número de espíritos falidos. Caindo o sujeito nessa faixa de destino determinístico, só lhe resta o amargo remédio, após longas depurações pelo sofrimento no plano espiritual, de voltar ao planeta em expiação, a começar pelo nascimento mesmo. Quem gozou à custa de bens alheios, quem muito abarcou, atrairá a privação, a miséria; quem menosprezou pais ou filhos, afasta de si um lar aquecido pelo amor.

A encarnação é necessária ao duplo progresso, moral e intelectual do espírito; ao progresso intelectual pela atividade obrigatória do trabalho; ao progresso moral pela necessidade recíproca dos homens entre si. "A vida social é a pedra de toque das boas ou más qualidades". A bondade, a maldade, a doçura, a violência, benevolência, a caridade, o egoísmo, a avareza, o orgulho, a humildade, a sinceridade, a franqueza, a lealdade, a má-fé, a hipocrisia, em suma: tudo o que constitui o homem de bem ou o perverso, tem por móvel, por alvo, e por estímulo as relações do homem com os seus semelhantes. "O progresso intelectual e o progresso moral raramente marcham juntos, porém o que o espírito não consegue em dado tempo, alcança em outro, de modo que os dois progressos acabam por atingir o mesmo nível".

O progresso do espírito é o fruto do próprio trabalho; mas, como são livres, trabalham no seu adiantamento com maior ou menor atividade, com mais ou menos negligência, segundo a sua vontade, acelerando ou retardando o progresso... Enquanto uns avançam rapidamente, entorpecem-se outros, são eles pois, os próprios autores da sua situação; conforme disse Jesus: A cada um segundo às suas obras. Uma só existência não é suficiente para o espírito adquirir todo o bem que lhe falta, e eliminar o mal que lhe sobra. Como poderia o selvagem, por exemplo, em uma só encarnação nivelar-se moral e intelectualmente aos mais adiantados? Deve ele, pois, ficar na ignorância e barbaria, privado dos gozos que só um desenvolvimento da faculdade pode proporcionar? O simples bom-senso repele tal suposição, que seria não somente a negação da justiça e bondade Divina, mas das próprias leis evolutivas da natureza, portanto lhe será concedida tantas encarnações necessárias para atingir seu objetivo, "a perfeição".

A encarnação pode dar-se na Terra ou em outros mundos. Há entre os mundos alguns mais adiantados onde a existência se exerce em condições menos penosas que na Terra, física e moralmente, mas onde também só são admitidos espíritos chegados a um grau de perfeição relativo ao estado desses mundos. A vida nos mundos superiores já é uma recompensa, visto se acharem isentos, aí, dos males e vicissitudes terrenos. Onde os corpos, menos materiais, quase "fluídicos", não estão sujeitos às moléstias, às enfermidades e tampouco tem as mesmas necessidades. Nesses mundos, reina a fraternidade, porque não há egoísmo; a verdadeira igualdade, porque não há orgulho, e a verdadeira liberdade por não haver desordens a reprimir, nem ambiciosos que procuram oprimir o fraco... Comparados à Terra, esses mundos são verdadeiros paraísos, quais pousos ao longo do caminho do progresso. A Terra é um mundo inferior destinado à purificação dos espíritos imperfeitos, aí está a razão do mal que predomina, até que um dia , ela então irá virar morada para os espíritos adiantados.

A desencarnação merece redobrada atenção. Todos temem a "morte", portanto, comecemos a conhece-la! O momento de regressar ao mundo espiritual chama-se desencarnação. Trata-se de uma contingência biológica; o organismo, funcionando ao longo do tempo e segundo as circunstância, vai-se desgastando e acaba por perder totalmente a vitalidade. A "morte", eliminado o impacto emocional que determina na maioria, deve ser considerada racionalmente como fenômeno natural que segue a vida. O momento da "morte" em si, quando a vida acaba e o espírito parte, não é doloroso; não há o que temer: o corpo doente tomba inerte e o espírito liberta-se. Porém, o fator moral tem uma "influência decisiva nesse momento crucial".

O medo da morte, o pavor do escuro, as sensações angustiantes, etc., provêm do estado íntimo da mente perturbada pelos erros acumulados durante anos... Para uns, é alegre o desencarnar: lá estão amigos e parentes esperando para dar-lhes as boas vindas; para outros, é um triste mergulho no escuro, na solidão, nas mãos de inimigos, etc. Tudo depende do estado de consciência e do estilo de vida adotado. Em alguns casos, os espíritos recebem visitas de seres espirituais, encarregados de conduzi-los, logo a seguir, para o novo destino após a restituição dos despojos. Isto é comprovado junto ao leito do doente, revelando que esta é uma fase natural do processo evolutivo do espírito. O desprendimento é tão fácil, que os gravemente enfermos se libertam e já gozam da condição de espíritos livres, estando ainda o corpo vivo. É uma situação vulgar o desencarne sem que o espírito perceba o fato e continue atuando como se estivesse vivo; inúmeros deles terão um dia, de ser levados a uma sessão espírita para receber o devido esclarecimento e passar a viver conscientemente. A ajuda espiritual mediante uma equipe esclarecida, está referida por André Luiz (Obreiros da Vida Eterna) com minudências.

Três são os tipos de desencarnação reconhecidos:
1 - A desencarnação lenta é a modalidade usual e ideal. A pessoa adoece por prazo mais ou menos longo, entra em agonia durante algum tempo e, afinal, parte; teve, assim um bom período para meditar sobre a vida pregressa e para reformular pontos de vista, podendo fazer vários acertos; inclinar-se à modificação interior e ao preparo para a partida. De qualquer forma, a separação é gradual e sem choques intensos. É uma benção. Temos, consequentemente, a compreender a função amortecedora que as moléstias crônicas desempenham na preparação do ser humano para o desencarne. A doença prolongada , ao invés de ser uma "desgraça" como geralmente se diz, é, ao contrário, um fator de equilíbrio para o enfermo. Tudo se encadeia e tem razão de ser na obra Divina! As estremeções e roncos no momento final, não significam necessariamente sofrimento, mas espasmos e descontrole neuromuscular oriundos da falta de direção central, pois "o barco" agora está sem leme...

2 - A desencarnação súbita merece anotações opostas. O espírito é apanhado desprevenido, sem preparo, apegado às coisas materiais e sensações físicas. Não pode deixar de sofrer com a morte de surpresa e de ficar fortemente abalado depois dela e por bastante tempo; o choque é violento, custam a vir o esclarecimento e o equilíbrio, salvo nos casos de pessoas votados ao bem geral.

3 - A desencarnação coletiva é igual a súbita, com a peculiaridade de processar-se em conjunto, por meio de desastres variados. Espíritos com débitos semelhantes reúnem-se para a expiação coletiva, aproveitando uma oportunidade planejada para o desencarne súbito de vários ou muitos indivíduos.

Devemos acentuar o quanto é importante a preparação espiritual ao avizinhar-se a desencarnação. A educação religiosa convencional tem o seu valor, é melhor do que a ideia de mergulhar-se no "nada". Mas , mesmo as pessoas sinceramente religiosas encontram amplas dificuldades pela desinformação. Nada procuram saber do "outro lado" nem dos espíritos, além de estarem impregnadas de noções falsas e preconceitos, para não dizer superstições. A morte, portanto, apavora-as em geral, e se alguma tem fé superior ao medo, fica confusa esperando demônios ou anjos. O conhecimento seguro do espírito, das leis eternas e das condições da Espiritualidade é que garantem ao desencarnado uma entrada tranquila (merecendo-o) no plano espiritual.

Morrendo o corpo, vai-se desligando a alma. Isto pode-se dar espontaneamente. Todavia, em quase todos os casos, um espírito iluminado está presente para ajudar o desprendimento, que é gradativo. Freqüentemente, vários espíritos estão ali assistindo ao moribundo. O cordão fluídico ainda permanece ligando o espirito ao corpo, que ainda mantém restos de energia vital; esta é procurada por infelizes sofredores votados à prática do mal, ao que André Luiz denomina "vampirismo". Por isso, durante o velório, permanece alguém categorizado para cuidar do recém-liberto e impedir o assalto ao cadáver, exceto nos casos em que não houve ordem para amparar o desencarnante, o qual fica, então, entregue ao espíritos malfazejos (em vista dos males praticados por ele). Perto do enterro, o assistente espiritual extrai, por meio de passes, os restos de vitalidade do corpo e dispersa-os na atmosfera, impedindo que os desocupados dos cemitérios se utilizem deles como parasitas. Velório e enterro podem ter sérios inconvenientes em decorrência das atitudes dos vivos; Conversar descuidadamente certos assuntos; assuntos obscenos e malévolos atraem entidades perversas, cuja presença perturba o novo desencarnado, etc.; a única atitude realmente capaz de ajudar ao desencarnado é o respeito, acompanhado de oração em sua intenção; isto é um alívio para ele, que quase sempre está mais ou menos angustiado. Felizmente, hoje, os cadáveres são encaminhados para as capelas no cemitério, reduzindo muito o "velório" a meras conversas rápidas e sem significação.

É muito variável o destino do espírito após a separação do corpo físico. Numerosas circunstâncias da vida e estados da mente denotam influência nisso. O modo de conduzir-se, as aspirações, a auto-educação, o respeito ao próximo, o serviço prestado e coisas assim são fatores determinantes... Raros são os espíritos recém-desencarnados que não passam por um período mais ou menos prolongado de perturbação da consciência. No momento mesmo da separação, como num filme rápido, o desencarnante revê toda a sua vida em resumo. Depois, entra em obscurecimento mental e fica numa espécie de sonolência que pode ser perturbada por recordações desagradáveis. Se mereceu, estará amparado durante tal ocasião; este estado pode durar de algumas horas até muitos anos, tudo dependerá do nível de moralidade, dos deveres cumpridos e dos serviços prestados ao próximo na área do bem desinteressado. Para poucos, os olhos fluídicos abrem-se na luz de imediato. Para muitos, a perturbação é penosa, com pesadelos.

Assim, muitos espíritos "dormem" demoradamente após a passagem daqui para lá (ficam em torpor agitado). Não são poucos os que, tendo negado sistematicamente a imortalidade, tão convencidos estão do "nada" que, ao desencarnarem, realmente mergulham na nulidade, sentem-se anulados e ficam inertes. Uma quantidade apreciável não consegue abandonar o campo doméstico e aí permanece crendo-se vivos agindo como se o fossem. Sua imantação aos lares deve-se a sintonia de vibrações viciadas com os parentes vivos na carne, tão transtornados quanto eles. " A obsessão é recíproca e inconsciente". Há os que permanecem presos ao corpo em decomposição, sofrendo terrivelmente com o trabalho dos microrganismos. Se libertados, cairiam sobre a família e outros, com propósitos bárbaros. Semelhante expiação (comum aos suicidas) provém, de que o cordão fluídico que une o espírito ao corpo só pode ser cortado por uma entidade esclarecida e capaz disso; estando o infeliz entregue a si mesmo, não aparece ninguém para o caridoso mister senão ao cabo do prazo determinado.

Finalmente, existem aqueles que ascendem as esferas superiores. Poucos, por ora. Antes da subida, passam pequena temporada de readaptação em casas transitórias, que são instituições de atendimento a necessitados e onde vigora um ambiente favorável.

Autor: Oliver
Fonte: http://www.oliver.psc.br

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“Os guerreiros se preparam para serem conscientes, e a total consciência vem a eles somente quando não há mais nenhuma auto-importância restando neles. Somente quando eles são nada é que eles se tornam tudo.” Carlos Castaneda